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Archive for outubro \31\UTC 2008

Sukhavati Lake by. Ik³

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E=MC²

 

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Chung Fu – A Verdade Interior

Caro amigo:

Aproveitando o clima agradável do mês de março, proponho  a você um passeio às montanhas .  Num domingo pela manhã, escolha o seu melhor terno, a mais bela gravata, suas abotoaduras de ouro herdadas de seu avô, o relógio, enfim tudo aquilo que melhor representa o seu estilo de vida, a sua posição e o seu status.  Não esqueça das medalhas que representam a coragem e o denodo demonstrado no cumprimento do dever, seu anel de formatura, seus títulos e diplomas.  A tudo isto junte os cds com as músicas que mais lhe agradam e combinam com sua personalidade culta e refinada.

É para ouvir na viagem .

De posse de tudo isto e senhor de si mesmo, deixe a cidade para trás, todo o burburinho e a agitação da vida moderna.  Conforme a paisagem muda, do urbano para  o rural, o seu pensamento se acalma, a música desperta sentimentos nobres, ligados às formas superiores de expressão artística e você vê  as montanhas ao fundo …

Agora, entre montanhas, seu carro avança veloz,  a paisagem é incrível! Você pensa nas vantagens que o desenvolvimento da ciência e a afirmação do racionalismo sobre a fé trouxe a raça humana .

Porém, daqui para frente, o último pedaço do percurso  terá que se fazer a pé, não desista, a perseverança é favorável, um lindo lago o espera.

Enquanto sobe a escarpa íngreme, uma nuvem encobre o sol, fato que traz a sua lembrança que assim como aquele que sobe a escarpa para ter uma visão do todo, o caminho do homem que busca a sabedoria também é íngreme, exige esforço, mas se realizado com perfeição traz sublime boa fortuna !

Quando chegar lá, contemple  a paisagem do lago, o dia claro, o céu azul,  uma leve brisa que sopra, os picos mais altos cobertos de neve, e um magnífico bosque de pinheiros, emoldura as margens do lago. De súbito a nuvem que encobria o sol se desmancha,  revelando todo o radiante esplendor de LI .

Você  tira os óculos, aperta os olhos,  protege-se com a mão e tenta

encarar o astro de frente mas não consegue. A esta hora do dia ele reina soberano, então você volta seu olhar para o lago e vê um ofuscante reflexo metálico, dividido em dez mil pedaços, pois a suave brisa agita a superfície do mesmo.

De forma reverente você se lembra que Tui significa metal …

Neste momento uma voz te propõe: “Vamos nadar pelados no lago?”  Trata-se de uma vontade irresistível, um misto de euforia e medo, afinal e se alguém me olhar o que vai pensar?  E minhas coisas onde eu deixo? O meu melhor terno, as abotoaduras de meu avô?

De forma irreverente você se lembra que Tui significa irresponsabilidade…

Depois de tirar a roupa você já não parece mais o mesmo, branquelo, os pés fracos pelo uso do sapato se ressentem de pisar nas pedras , e procuram pela grama, onde, ai sim, começam a se descontrair, aproveite e descontraia o resto do corpo: as pernas, a barriga, isso a barriga ! Agora já não importa se você é barrigudo ou não…

Inspire fundo! Expire lentamente. Tire suas mágoas, tristezas,  dúvidas e rancores, do peito,  largue a  cruz que te acompanhou até aqui. Relaxe os ombros.

Erga os braços como se você fosse uma das árvores do bosque.

Um Álamo! Isto mesmo, um álamo ! Enfie os seus pés na terra por entre a grama, eles são suas raízes, mãos espalmadas, dedos bem abertos, eles são as folhas a captar a luz solar. Permaneça nesta posição até você se sentir parte da paisagem , quando a brisa soprar balance suavemente na direção do vento …

Agora você já está pronto para se dirigir ao lago. De forma cautelosa se aproxima da margem e no primeiro toque da água gelada um grito sai de sua garganta. A euforia aumenta e o coração dispara…

Você lembra que Tui significa metal e que o metal é gelado…

Conforme vai entrando na água,  novas sensações surgem, o lodo do fundo traz uma sensação desagradável, e seus pés tateiam cautelosamente em busca de algum perigo oculto, porém o que mais te perturba é a  água fria sobre as suas pernas. Essa provoca reações, contrações involuntárias que fogem ao controle de tua mente racional, você ri alegremente sem saber porque…

Finalmente você mergulha. A água gelada parece conter mil lâminas que vão cortando alguma coisa, alterando a tua consciência, rasgando a casca grossa da persona que te envolvia .

Você lembra que Tui significa cortar…

Você brinca alegremente, solta o corpo ao sabor da água, se esquece do próprio ego, neste momento você apenas é aquilo que é.

Vocé se tornou a própia Alegria de Tui…

Ao voltar para a margem, já com a água pela altura da cintura, algo faz você se virar para o centro do lago com uma expressão alegre de reverente gratidão, um momento em que você sente toda a plenitude da Vida e um agradecimento sem palavras, pois que essas, são completamente desnecessárias…

Neste exato momento o vento sopra mais forte trazendo o ar gelado dos picos nevados…

A mente se desdobra .

A noção de  Tempo,  Realidade, e Espaço, se expandem

Você grita mais forte. Sorri. Aperta os braços contra o corpo. Os joelhos tremem. A pele toda se arrepia . Balbucia coisas incompreensíveis  enquanto ri.

A parte racional de sua mente se lembra e relaciona:

O vento acima SUN.

O Lago abaixo Tui.

Isto é:

Chung Fu

A Verdade Interior !!!

O grito que sai da tua boca tem um som que te é familiar, você começa a perceber a presença de outra pessoa, alguém muito próximo que você não vê a muito tempo.

Quem é essa pessoa que você ama tanto e que não via a tanto tempo? Como alguém tão importante, tão vital se afastou de mim? Onde ela estava? Uma imagem começa a se formar, aquela risada distante se aproxima se torna cada vez mais alta até que funde com a sua. É a risada de uma criança . O tempo, o teu corpo, se transformou, você se reconhece naquela criança .

Você é aquela criança, frágil diante das forcas da natureza.

O metal condutor que é o lago, e a suavidade penetrante do vento conseguiram romper a barreira do  Espaço-Tempo no exato momento em que, silenciosamente,  você agradecia ao Tao a dádiva de estar vivo .

Naquele momento você era a felicidade da tua condição humana.

Paralelo a tudo isso, a parte supra-racional enxerga  a imagem do hexagrama, as duas linhas  superiores significam o  Céu, as duas inferiores, a terra, e ao centro as duas  linhas maleáveis o homem. Exatamente na posição que lhe e apropiada .

A tua mente racional se agita antevendo o fim de tudo.

A lei da entropia que tudo consome.

Mas neste momento já não é ela que comanda. A criança tem uma força irresistível, a sua confiança é inabalável, ela diz:

A perseverança traz sublime sucesso. E favorável  ter aonde ir !

Seu riso contagia a parte racional de tua mente que se expande a ponto de reconhecer a criança que vive  em cada ser humano. Sente a compaixão por todos os seres que ainda não tiveram a oportunidade do reencontro consigo mesmo. E aqui ela perdoa .

Perdoa a tudo, e a todos, reconhece que a desarmonia é fruto do desconhecimento do Amor . Ao perdoar a alma se esvazia da Dor . Porém ao mesmo tempo se completa, pois o Amor a tudo permeia, e a tudo preenche .

A partir deste momento tudo que estava separado começa lentamente a se fundir. O tempo se unifica, o espaço volta a ser o do lago, você se reconhece adulto novamente indo em direção a suas roupas . Mas, algo mudou, as coisas tem um brilho especial, a imagem está cristalina e a cada passo dado parece que o mundo se renova.

Você está a caminhar, sempre a pisar em num novo mundo .

O som do vento, a algazarra dos pássaros, tudo isto você percebe.

Mas existe um novo e maravilhoso silêncio…

É o silêncio da mente .

Nesta noite, ao voltar para a sua casa,  contemplando da janela de seu apartamento do 20o andar as luzes dos neons  da cidade de São Paulo, você se pergunta se aquilo foi real ou um sonho. Subitamente tudo estremece, um vórtex de luz e som funde tudo a sua volta e você se vê de volta ao lago, onde está o céu refletindo uma revoada de 6 dragões, anunciando que a voz do Tao vai manifestar-se. Um tigre ruge como um trovão. Ao lado de um Lótus, a tartaruga mágica emerge do fundo do lago e olha para o céu com grande interesse.

Da vibração de cada átomo que compõe o universo surge um  “S Om” unificando o espaço-tempo e declarando:

“Vinde a mim as crianças, pois é delas o reino dos Céus.”

Corte brusco.

Estas de volta  ao teu quarto, olhas com desconfiança para o conteúdo da xícara que tens nas mãos e ao pousá-la sobre a mesa, a criança volta rir alto dentro do teu coração .

Abraços

Jose Ikeda.

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