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Archive for agosto \24\UTC 2009

Ripple Effect

Ripple Effect

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Alayde Mutzenbecher

Entre todos os aspectos possíveis de abordagem do I CHING, a perfeição da sua estrutura interna talvez seja o fator menos conhecido. No Ocidente, é quase desconhecida essa rede de comunicações pulsante que se reparte de modo magistral como uma rosa de ventos, pelas oito direções do espaço.

Pois a construção primordial do I CHING mostra o posicionamento dos oito trigramas que compoem o Bagua, de modo extremamente inteligente, claro e efetivo. A repercussão dessa dinâmica energética atua nos espaços habitados pelo homem através da arte do Feng Shui, assim como no corpo humano, através da Medicina Tradicional Chinesa, e também nos movimentos harmoniosos e efetivos ensinados nas melhores escolas das Artes Marciais.

O entrelaçar das oito forças primordiais que constituem cada um dos 64 hexagramas implicam conotações de uma abrangência insuspeita, abrindo novos caminhos para o estudo da energia contida no Livro das Mutações. Esta estrutura portadora de CHI distribui as energias e as disseminam no espaço, incluindo partes visíveis e partes subjacentes que não são detectadas pela maioria das pessoas. Por isso, as melhores escolas de Feng Shui e de Acupuntura do Oriente não aceitam discípulos que não tenham um bom conhecimento do I Ching.

Sobre esta construção energética impressionante foram escritos livros inteiros. Porém, aqui evocamos apenas alguns dos seus aspectos básicos.

As duas energias iniciais, – o Puro Yang ou Criativo, representadas pelo hexagrama número 1, e o Puro Yin ou Receptivo, simbolizado pelo hexagrama número 2 – formam o par que, interligado em suas várias manifestações e múltiplas facetas, gera todas as outras energias.

As duas dinâmicas que terminam a primeira parte do Livro das Mutações, – a dupla Água e o duplo Fogo – encerram as primeiras trinta etapas de aprendizagem energética. Assim como o par de energias inaugurais, são opostas E complementares entre si. É a mesmo entrelaçar de Água e Fogo que também termina o Livro das Mutações, na Completude retratada no hexagrama número 63 (Após a Conclusão) e na Incompletude aparente no hexagrama número 64. Em ambos os casos, Água e Fogo voltam a interagir entre si, porém, agora de modo diferente, abraçados.

Essas quatro energias primordiais – Céu e Terra, Água e Fogo – são também as que formam o eixo vertical nas duas Ordens dos Céus. Na Ordem do Céu Anterior, estas quatro dinâmicas constituem os dois eixos – o vertical e o horizontal -, cada qual apontando para uma direção cardeal – norte, sul, leste e oeste. E na Ordem do Céu Posterior, o eixo vertical é ocupado pelo Fogo (acima) e pela Água (abaixo).

A dinâmica que move este surpreendente caleidoscópio que é o I CHING ou Clássico das Mutações, onde todas as energias estão sempre a girar como numa surpreendente roda gigante, desdobram-se em metamorfoses constantes que constituem o próprio da vida. Todos os seres são movidos por essas forças impalpáveis, a cada instante.

Neste vai-vem que se exaure ao se exprimir ou, que ao expressar-se, se exaure, a energia é esteira do espaço, é fibra do estofo do tempo. O verdadeiro tempo no pensamento chinês surge no instante exato em que as espirais do CHI impregnadas de forças invisíveis e impalpáveis se entrelaçam, tecendo a vida a partir do eixo central de cada ser. E este Vazio, este “nada-tudo” que clama, age o tempo todo, ao centro de todas as nossas trajetórias.

A estrutura interna das seis linhas de cada hexagrama também se entrelaça e aponta significados: podemos atribuir às duas primeiras linhas de cada hexagrama à função Terra, e as duas últimas linhas – a quinta e a sexta -, à função Celeste. E as duas linhas do meio de cada hexagrama – a terceira e a quarta – se referem à função humana. O homem seria então, e por definição, aquele que caminha entre Céu e Terra. E o “homem superior”, ou seja, a parcela mais inteligente, mais lúcida e generosa de cada ser humano é aquela que sabe harmonizar com equilíbrio e desenvoltura, as energias que o envolvem, – as concretudes da realidade terrestre com os impulsos criativos invisíveis procedentes do âmbito celeste.

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Yin/Yang

Yin/Yang

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Jean Marc Eyssalet MD

Cada Ser em sua origem é concebido não somente como uma vida nova, mas igualmente como um novo ponto de vista da vida marcado pela qualidade original e inalienável de seu surgimento e mantido como um concerto das relações energéticas onde toda ocorrência inesperada tem uma fonte, uma história e uma elaboração concreta.

A concepção de cada Ser pode, conseqüentemente, ser explicada como uma passagem do plano do “Ser Incondicionado” (Xian Tian, o Céu Anterior) ao plano da multiplicidade, do sujeito e dos objetos, ou à experiência do corpo e do mundo como nós o conhecemos (Hou Tian, o Céu Posterior).

O motor da concepção, o primeiro ato da encarnação, expressa-se por uma modalidade negativa tal como uma perda do Ser,  uma deficiência, uma demanda vaga ou totalmente ativa, que pode muito bem ser qualificada como uma demanda para o amor.

Ao longo da vida, isto se opera no centro de todas as trajetórias de energia dentre aquilo que mantêm a consciência do Corpo e aqueles  que, abertos no coração da consciência individual, estão centrados na escuta atenta.

Esta convocação para “Ser”, esta ausência ativa que é manifestada como a essência de uma presença, determinará o desejo dos pais. Esta resposta secreta será inscrita no coração e no corpo do pai e da mãe, como uma tensão interna que se transforma em uma tensão dirigida para o outro determinando, assim, o ato de fecundação.

A resposta dos pais a esta chamada para o Ser será feita de uma maneira dupla, pessoal e impessoal, através do intermediário concreto de seu óvulo e esperma  chamado Jing, ou “essência”. Durante a fecundação ocorre o choque pelo encontro dos pólos cósmicos do masculino e do feminino que fornece a base do surgimento da expressão concreta das forças criativas. Assim elabora-se e transforma-se o Shen, ou “espírito”, de um novo Ser vivo.

A existência inteira do indivíduo, em seu corpo e em sua psique, será expressada por esta falta, esta chamada para o ‘Ser’, este buraco negro em que os movimentos energéticos se acoplam. O fluxo combinado das energias responderão “at mínima”, e em seu encontro serão orchestradas e harmonizadas como as partes diferentes de uma sinfonia.

O corpo representa o abrigo de todas as memórias onde o legado de nossos antepassados, suas aspirações, seus medos e seus desejos são gravados. O corpo é um tipo de moradia do passado, mansão dos antepassados, que abriga as influências que nos prepararam para as exigências que devem ser aceitas e transformadas.

Entretanto, nós nunca somos totalmente condicionados pelo potencial  dos scripts herdados dos antepassados os quais atualizamos e aos quais também resistimos.

Nós estamos sempre na posição de questionar, se assim o desejarmos, podemos girar para o interior de nós mesmos, no sentido do “ponto oco” de onde as energias e os scripts surgem e são transformados.

O reconhecimento desta qualidade de “ser junto à fonte” que integra todas as camadas intermediárias de pensamento, energia e corpo individual, é chamado meditação.

Há duas palavras chinesas que designam os dois aspectos fundamentais que cada um ser humano pode apreender em sua investigação: Xing, “natureza verdadeira” e Ming, “destino”.

A natureza verdadeira de um Ser representa a qualidade de sua presença, além de todas as características expressivas, da intensidade de sua consciência e da riqueza de sua personalidade terrena.  Isto sumariza a tecelagem dinâmica do domínio espacial que faz a tela do indivíduo e é o resultado da força da convocação para o Ser e da resposta da Céu-Terra dentro dele mesmo.

Com sua clareza e tranquilidade, a natureza verdadeira transmite um reflexo do plano incondicionado na consciência dual da pessoa, e se revela na vida cotidiana de forma espontânea.

O destino, ou Ming, representa uma linha melódica mixada à linha do tempo individual a qual se esgota no exato momento de sua expressão, como o pavio ardente de uma lamparina. Em um certo sentido, Ming é a árvore que organiza nossas energias e lhes dá a forma, a nossa vida depende diretamente dele.

A natureza e o destino são inseparáveis e se combinam em cada ser como dois pólos complementares. É a associação da Natureza, representada pelo espaço aberto e consciente da essência feminina e, do Destino que organiza, ativa e transforma o tempo individual da essência masculina.

Dr Jean Marc Eyssalet é autor de:

“Shên o Instante Criador” publicado no Brasil pela editora Gryphus

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O Livro das Mutações

José Ikeda, como e quando tu conhecestes o I’Ching?

Conheci o I’Ching em 1985, através de um amigo que me emprestou o livro, gostei tanto que o empréstimo se tornou uma posse preciosa que me acompanha até hoje.

Como é chamado quem trabalha com o I Ching? Consultor?

Normalmente chamamos consultor, porém, caso o consulente já tenha algum conhecimento prévio do livro, podemos chamar de facilitador.

O que podemos saber através do I Ching? Que tipo de perguntas devem ser feitas?

Segundo o próprio livro:
“O livro das mutações contém a medida do céu e da terra,
por isso ele possibilita a compreensão do Tao do céu e da terra.”

Podemos indagar ao livro sobre qualquer assunto, desde que se construa a pergunta como parte de uma estratégia. O livro apresenta a idéia de que a mutação é constante, situações de alegria e tristeza se sucedem, sucesso e infortúnio eventualmente são definidos pelo tempo e em grande parte pelo próprio homem que estrategicamente se posiciona, no ataque ou na defesa, na ação ou na não ação, tudo dependendo das circunstâncias.

Como são estas respostas, em forma de símbolos?

A respostas são dadas através dos 64 hexagramas,construções de seis linhas inteiras ou partidas que, segundo os sábios, resumem e abarcam toda a diversidade existente entre o céu e a terra. Cada hexagrama é formado por dois trigramas, possuem um nome, seqüência, um julgamento,e uma imagem que foram estabelecidos por gerações de mestres chineses, num período de,no mínimo,três mil anos.

De maneira geral o nome do hexagrama resume o tempo.
A seqüência mostra como as mutações se sucedem.
O julgamento indica porquê e como proceder.
As imagens nos remetem à mente dos sábios, de forma a que possamos ver o que eles contemplavam quando estabeleceram os trigramas, estas imagens são atemporais como o céu, a terra, o vento/madeira, o fogo, a água, trovão, lago, e montanha ou seja, formas e forças básicas que sustentam a vida.
Poéticos, os hexagramas têm o dom de nos ampliar a visão, nos levando a resolução interna de um problema, não raro, instantaneamente. A noção de que a única coisa imutável é a constante mutação, nos dá esperança para os momentos difíceis, nos ensina o valor da cautela na hora do avanço, o cuidado com aquilo que está nascendo, e traz a paz ao coração daqueles que, chegando ao ápice, percebem que este é o momento onde o declínio começa, para que outro ciclo se suceda.

Como saber a interpretação correta das respostas, já que usa uma linguagem não ocidental por assim dizer?

Com razão e sensibilidade. O I’Ching exige estudo para que possamos abalizar racionalmente aquilo que sentimos intuitivamente. Um dos sentidos para a palavra Tao é caminho. O cérebro humano possui dois hemisférios com atribuições distintas, uma
criativa e outra lógica. Então me permito supor, que trilhar o caminho do Tao seria dar passos onde a lógica se apoiasse na criatividade e vice versa.
Interpretações corretas exigem imparcialidade. Análises puramente intuitivas se perdem na indeterminação. Por outro lado a aridez racional daqueles que se atem somente aos aspectos da lógica interna do I’Ching transformam a análise das respostas em verdadeiras
autópsias.

Como consultar o I Ching pode ser benéfico para a saúde, por exemplo?

Se considerarmos a doença como parte do um mecanismo regulador da natureza que busca compensar de alguma forma desequilíbrios em outras áreas da vida humana, o I’Ching pode
detectar estas áreas mais sensíveis e sugerir alterações de curso.
Por exemplo, dentro da visão holística do livro a depressão de uma dona de casa pode ser curada com uma atividade externa, onde ela possa dar vazão a um potencial latente reprimido.

I Ching, Tao, Tai Chi, explique esta relação:

Um observador atento da natureza percebe as mutações, mas não fixa sua atenção nos fenômenos isolados, ele descobre que para além disso existe uma lei eterna chamada Tao.
Esta lei é a unidade dentro da multiplicidade, o Tai Chi é o princípio universal de tudo que existe, a viga mestra. Podemos dizer então que o I’Ching funciona como uma bússola
apontando para o eterno fluir do Tao.

Além do I Ching que outras formas/fórmulas têm a sabedoria chinesa a ensinar ao Ocidente?

Na verdade todas as principais formas/fórmulas, como o Chi Kung, a Alquimia Interna Taoísta, a Fitoterapia. o Feng Shui, a Acupuntura, as Artes Marciais, o Tai Chi Chuan, têm a sua origem no estudo do livro das mutações.

Que visão de mundo eles têm que pode servir para o nosso desenvolvimento?

Acredito que um dos aspectos principais do pensamento chinês, que vai ser de grande valia ao ocidente, é de que cada indivíduo deve encontrar o seu lugar no mundo. Existe um ponto no universo que corresponde ao potencial de cada indivíduo, para o qual o aporte de energia é correspondente a capacidade de traduzi-la no máximo de benefício com o mínimo de perda. Ao atingirmos este ponto, atingiremos o sucesso. O I’Ching é um instrumento de valor inestimável, na busca deste ponto que fica no centro de cada coisa que existe no universo.

Em que medida o I Ching prevê o futuro?

William Blake nos diz que se nossa visão fosse desobstruída perceberíamos que as coisas são infinitas. O I’Ching prevê o futuro, na medida que nos mostra o presente de forma clara e inequívoca.A interação entre o consulente e o livro repete, tal qual o experimento quântico, onde o observador interfere na experiência e a experiência interfere no observador.
Apresentando a resposta através de padrões probabilísticos abstratos que ganham significado na medida proporcional ao grau de compreensão do observador. Quanto mais clara e informada(holística for a consciência do indivíduo), maior precisão ele terá para
definir o resultado do experimento, ganhando com isto maior facilidade na decisão do caminho (Tao ) a seguir.

Existe um número máximo de perguntas, algum tempo a ser considerado entre uma pergunta ou outra?

Na verdade tudo depende da intenção. Via de regra uma pergunta de cada vez, com um intervalo de tempo, para analisarmos a resposta, cerca de 24hs ou mais. Porém dependendo do problema podemos desdobrar uma questão em várias perguntas seqüenciais, a serem feitas na hora. A tendência é, no início do estudo, de nos empolgarmos com a precisão das respostas e perguntar sobre tudo. Mais tarde, conforme incorporamos a sabedoria das mutações, dependeremos menos do oráculo e passaremos a
conhecer as “Sementes do destino” de forma direta.

Existem “regras” a serem seguidas?

Acredito que a principal regra é o propósito sincero. Às perguntas frívolas o livro costuma responder com uma “crua sinceridade”, bem como as perguntas repetitivas que demonstram
desconfiança com relação a resposta já obtida.
Porém não posso deixar de destacar que essas “respostas cruas”, por vezes estão recheadas de humor.
Certa vez indaguei ao livro sobre a possibilidade de comprar um carro de padrão médio e ele literalmente me mandou embelezar as unhas dos pés, abandonar a carruagem e caminhar. Trata-se do hexagrama 22,
“A Graciosidade” que aborda a beleza frívola e supérflua, a mutação do mesmo levava ao hexagrama 15, “A Modéstia”. Precisa dizer mais?

Normalmente, quais assuntos/áreas que mais levam as pessoas a fazer o uso do I Ching?

Profissional seguida da sentimental e da saúde.

Como professor, como se dá o ensino do I Ching? Como ele é estudado e em quanto tempo a pessoa consegue um nível mínimo de entendimento do que é o I’Ching?

O ensino começa pela visão chinesa da energia que é única, mas se alterna entre dois pólos e os desdobramentos desse processo cíclico.
As quatro virtudes.
O Yin e o Yang, bigramas, trigramas, hexagramas.
Os métodos da consulta oracular.
A formulação correta da pergunta.
Regras de interpretação dos hexagramas obtidos.
A partir deste ponto o estudante (em cerca de três meses de estudo), já tem meios de utilizar o livro de forma empírica, observando o efeito do mesmo em sua própria vida e mensurando o seu grau de compreensão não só pelo número de acertos e erros de
suas análises, mas principalmente pelos profundos insights do que são realmente as mutações.
Nesse ponto o professor vira facilitador, apresentando as sutilezas de cada situação ao aluno, ao mesmo tempo em que vira aluno também, ao perceber novos aspectos das mutações em seu infinito crescimento espiral dinergético.

Entrevista concedida à Elisa Dorignon.

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