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Archive for dezembro \31\UTC 2011

Lao-tzu disse:
A sabedoria nada tem a ver com governar os outros, mas é uma questão de ordenar a si mesmo. A nobreza nada tem a ver com poder e posição social, mas é uma questão de auto-realização; obtenha a auto-realização e o mundo inteiro poderá ser encontrado dentro de você. A felicidade nada tem a ver com riqueza e posição social, mas é uma questão de harmonia.
Aqueles que sabem o suficiente para considerar o ser interior como importante e o mundo como secundário estão perto do Caminho. Portanto eu digo: “Alcançando o extremo do vazio, mantendo-me totalmente imóvel enquanto miríades de seres agem em concerto, assim eu observo o retorno”.
O Caminho molda miríades de seres, mas é sempre sem forma. Silencioso e imóvel, ele inclui totalmente o desconhecido indiferenciado. Nenhuma vastidão é suficientemente grande para estar fora dele, nenhuma pequeneza é suficiente pequena para estar dentro dele. Ele não tem casa mas dá origem a todos os nomes do que existe e do que não existe.
As pessoas verdadeiras corporificam isso através de uma vacuidade aberta, de um sossego equânime, uma clara limpeza, uma tolerância flexível, uma pureza não-adulterada e uma plena simplicidade, sem confundir-se com as coisas. A sua perfeita virtude é o Caminho do céu e da terra, por isso elas são chamadas de pessoas verdadeiras.
As pessoas verdadeiras sabem de que modo considerar o ser interior como grande e o mundo como pequeno. Elas preferem o autogoverno e desprezam o ato de governar os outros. Elas não deixam que as coisas perturbem a sua harmonia, e não permitem que desejos desorganizem os seus sentimentos. Ocultando seus nomes, elas se escondem quando o Caminho é acatado e aparecem quando ele não o é. Elas agem sem artifícios, trabalham sem esforço e sabem sem intelectualizar.
Apreciando o Caminho do céu, aceitando o coração do céu, as pessoas verdadeiras respiram escuridão e luz, exalando o velho e inalando o novo. Elas se fecham com a escuridão e se abrem com a luz. Elas se enrolam e se desenrolam junto com a firmeza e a flexibilidade, se contraem e se expandem junto com a escuridão e a luz. Elas têm a mesma mente que o céu, o mesmo corpo que o Caminho.
Nada as agrada, nada é penoso para elas, nada as delicia e nada as irrita. Todas as coisas são misteriosamente iguais, não há nem certo nem errado.
Aqueles que são fisicamente feridos pela tortura das condições climáticas extremas percebem que o espírito é sufocado quando o corpo fica exausto. Aqueles que são psicologicamente feridos pela aflição das emoções e dos pensamentos percebem que o corpo é abandonado quando o espírito fica exausto. Portanto, as pessoas verdadeiras retornam deliberadamente à essência, confiam no apoio do espírito, e assim alcançam a plenitude. Deste modo elas dormem sem sonhos e despertam sem preocupações.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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Lao-tzu disse:
Aqueles que se mantêm no Caminho para guiar as pessoas enfrentam as questões à medida que elas surgem e agem de acordo com o que as pessoas fazem. Eles agem conforme a evolução de cada ser e se harmonizam com as mudanças em todos os acontecimentos.
Assim, o Caminho é vazio e não é coisificado, é equânime e fácil, claro e calmo, flexível e tolerante, não-adulterado e puro, pleno e simples. Essas são imagens concretas do Caminho.
A não-coisificação vazia é a moradia do Caminho. O sossego equânime é a base do Caminho. A calma clara é o espelho do Caminho. A tolerância flexível é a função do Caminho. A reversão é normal para o Caminho: a flexibilidade é a firmeza do Caminho; a tolerância é a força do Caminho. A pureza não-adulterada e a plena simplicidade são o tronco do Caminho.
Ser vazio significa que não há fardo no interior. Ser equânime significa que a mente está desbloqueada. Quando desejos habituais não são um fardo para você, essa é a realização do ser vazio. Quando você não tem apegos ou rejeições, essa é a realização da equanimidade. Quando você está integrado e imutável, essa é a realização da calma. Quando você não se confunde com as coisas, essa é a realização da pureza. Quando você não se lamenta nem se delicia, essa é a realização da virtude.
A orientação das pessoas completas abandona o intelectualismo e afasta o embelezamento exibicionista. Apoiado no Caminho, ele rejeita a astúcia. Ele emerge da imparcialidade, em harmonia com as pessoas. Ele limita o que é guardado e minimiza o que se busca. Ele se livra de desejos sedutores, afasta o desejo por coisas materiais e diminui a ruminação.
Limitar o que é guardado resulta em clareza, minimizar o que se busca resulta na obtenção. Portanto, quando o externo é controlado pelo interno, nada é negligenciado. Se você pode alcançar o centro, também pode governar o externo.
Alcançando o centro, os órgãos internos ficam calmos, os pensamentos são equilibrados, os tendões e os ossos são fortes, os ouvidos e os olhos têm clareza.
O Grande Caminho é equânime e não está longe de nós. Aqueles que o buscam longe vão e depois voltam.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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Lao-tzu disse:
As pessoas grandes são pacíficas e não têm desejos; são calmas e não têm preocupações. Elas fazem do céu o seu teto e da terra a sua carruagem; fazem das quatro estações os seus cavalos e a escuridão e a luz são os seus cocheiros. Viajam onde não há estrada; passeiam por onde não há cansaço, e não partem de portão algum.
Com o céu como seu teto, nada está sem cobrir; com a terra como sua carruagem, nada fica sem carregar. Com as quatro estações como seus cavalos, não há nada que não seja empregado; com a escuridão e a luz como seus cocheiros, não há nada que não esteja incluído. Por isso estas pessoas são rápidas sem hesitação, viajam longe sem cansar. Com seus corpos imperturbados, seus intelectos não ficam diminuídos e elas vêem todo o mundo claramente. Isso é manter-se em contato com a essência do Caminho e observar a ilimitada terra.
Portanto os assuntos do mundo não devem ser planejados artificialmente, mas promovidos de acordo com sua própria natureza. Nada pode ser feito em relação às mudanças das miríades de seres, exceto perceber o essencial e voltar a ele. Portanto os sábios cultivam a base interior e não se adornam externamente com superficialidades. Eles ativam o seu espírito vital e deixam em repouso as suas opiniões eruditas. Assim, eles são abertos e livres de artificialidade, porém não há nada que eles não façam; eles não têm governo, porém não há desgoverno.
Estar livre de artifícios significa não agir antes dos outros. Não ter governo significa não alterar a natureza. Ausência de desgoverno significa que eles se guiam pela ajuda mútua dos seres.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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Lao-tzu disse:
Há algo, um todo indiferenciado, que nasceu antes do céu e da terra. Ele não tem forma concreta, apenas imagens abstratas. Ele é profundo, escuro, silencioso, indefinido, e não escutamos sua voz. Atribuindo um nome a ele, eu o chamarei de Caminho.
O Caminho é infinitamente elevado, insondavelmente profundo. Incluindo céu e terra, recebendo daquilo que não tem forma, ele produz uma corrente que flui ampla e profundamente sem transbordar. Opaco, ele usa a clarificação gradual através da imobilidade. Quando é aplicado, ele é infinito e não tem dia ou noite; no entanto, quando é representado, nem sequer enche uma mão.
Ele é restrito mas pode expandir-se, é escuro mas pode iluminar, é flexível mas pode ser firme. Ele absorve o negativo e emite o positivo, mostrando assim as luzes do sol, da lua e das estrelas.
As montanhas são altas por causa dele, os oceanos são profundos por causa dele, os animais correm por causa dele, os pássaros voam por sua causa. Os unicórnios passeiam por causa dele, as aves fênix erguem seu vôo por causa dele, e as estrelas seguem suas trajetórias por causa dele.
Ele garante a sobrevivência através da destruição, a nobreza através da baixeza, o avanço através da retirada. Na antigüidade, os Três Veneráveis alcançaram a ordem unificadora do Caminho e permaneceram no centro, os seus espíritos avançaram com a Criação, e assim eles confortaram a todos nos quatro cantos.
Assim o Caminho realiza o movimento dos céus e a estabilidade da terra, girando interminavelmente como uma roda, fluindo incessantemente como água. Ele está presente no início e no final das coisas: quando o vento se ergue, quando as nuvens se condensam, quando o trovão soa e a chuva cai, ele responde em harmonia e infinitamente.
Ele devolve à simplicidade o que é esculpido e polido. Ele não se esforça para fazer isso, mas se une à vida e à morte. Ele não se esforça para expressar isso, mas transmite virtude. Ele implica uma felicidade pacífica que não tem orgulho, e assim alcança a harmonia.
Há miríades de diferenças à medida que o Caminho facilita a vida: ele harmoniza a escuridão e a luz, regula as quatro estações e sintoniza as forças da natureza. Umedece o mundo vegetal e permeia o mundo mineral. Os animais crescem, os seus pêlos ficam lustrosos, os ovos dos pássaros não se rompem, os animais não morrem nos ventres maternos. Os pais não sofrem a dor de perder seus filhos, os pequenos não têm a tristeza de perder uns aos outros. As crianças não ficam órfãs, as mulheres não ficam viúvas. Os sinais atmosféricos de mau agouro não são vistos, assaltos e banditismo não ocorrem. Tudo isso é provocado pela virtude interior.
O Caminho natural e constante faz os seres nascerem mas não os possui, ele produz a evolução mas não a governa. Todos os seres nascem dependendo dele, porém nenhum sabe agradecer-lhe; todos morrem por causa dele, porém nenhum pode ter ressentimento contra ele. Ele não é enriquecido pelo estoque e pela acumulação, e tampouco empobrece por desembolsar e aproveitar.
Ele é tão incompreensível e indefinível que não pode ser imaginado, porém, enquanto é incompreensível e indefinível, a sua função é ilimitada. Profundo e misterioso, ele responde à evolução sem forma; bem-sucedido e eficiente, ele não age em vão. Ele se enrola e se desenrola com firmeza e flexibilidade, se contrai e se expande com escuridão e luz.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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As Fiadeiras

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Trata-se de um ser de uma afetividade imensa e instável,
Que sorri, ri, chora;
Um ser ansioso e angustiado;
Um ser gozador, embriagado, estático, violento, furioso, amante;
Um ser invadido pelo imaginário;
Um ser que conhece a morte e não pode acreditar nela;
Um ser que segrega o mito e a magia;
Um ser possuído pelos espíritos e pelos deuses;
Um ser que se alimenta de ilusões e de quimeras;
Um ser subjetivo cujas relações com o mundo objetivo são sempre incertas;
Um ser submetido ao erro, ao devaneio;
Um ser híbrido que produz a desordem.
E como chamamos loucura à conjunção da ilusão, do desconhecimento,
da instabilidade,
da incerteza entre o real e o imaginário,
da confusão entre o subjetivo e o objetivo,
do erro, da desordem,
somos obrigados a ver o Homo Sapiens
como Homo Demens.

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Mohsen Namjoo – Buddha

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