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Archive for janeiro \06\UTC 2012

Viagem ao centro da Via-Lactea

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Lao-tzu disse:

Quando uma mente mecânica está oculta no interior, a pura inocência é adulterada. Quanto àqueles em quem as qualidades espirituais não estão completas, quem sabe até onde pode ir a destrutividade? Quanto àqueles em cujos corações todos ao sentimentos maliciosos estão completamente esquecidos, eles poderiam pegar até um tigre faminto pela cauda, para não falar de outras pessoas.

Aqueles que corporificam o caminho são livres e nunca chegam a um beco sem saída. Aqueles que se deixam orientar por estratagemas trabalham muito, mas sem vitórias. As leis rígidas e as punições rigorosas não são obra de grandes líderes; bater excessivamente no cavalo não é a maneira de chegar a uma longa distância.

Quando as preferências e aversões proliferam, os problemas correm atrás. Por isso, as leis dos monarcas antigos não eram algo montado artificialmente, mas estabeleciam aquilo em que todos confiavam; suas proibições e punições não eram improvisadas, mas estabeleciam aquilo que era obedecido.

Por isso a capacidade de prosseguir com o que já existe leva à grandeza, enquanto que o artifício leva às coisas pequenas; a capacidade de observar o que já está estabelecido leva à segurança, enquanto que o artifício leva à derrota.

Aqueles que deixam seus olhos e ouvidos verem e escutarem toda e qualquer coisa cansam dessa maneira as suas mentes, e assim perdem clareza. Aqueles que usam a especulação intelectual para exercer controle causam dessa maneira dor às suas mentes e não realizam nada.

Se você confiar nos talentos de uma só pessoa, será difícil ter êxito; se você cultivar o talento de uma só pessoa, isso não será suficiente para governar uma casa e um jardim. Se você seguir a lógica da razão verdadeira e a naturalidade do céu e da terra, nem o universo inteiro poderá contrariá-lo. Os ouvidos se perdem pelo repúdio e pelo elogio, os olhos se tornam licenciosos através da cor e da forma. As boas maneiras são de fato insuficientes para evitar o apego, mas uma mente sincera pode abarcar o que é largo e o que está longe.

Portanto, nenhuma arma é mais eficiente que a vontade, nenhum bandido é maior que yin e yang. O grande bandido está escondido dentro do corpo e não fala ponderadamente; o bandido médio se esconde nas montanhas e o pequeno bandido vive no meio da população. Por isso se diz que quando as pessoas têm muita astúcia e esperteza acontece grande quantidade de coisas estranhas; quando muitas leis e decretos são promulgados, há muitos ladrões e bandidos. Liberte-se de tudo isso e as calamidades não ocorrerão. Assim, governar uma nação através da astúcia prejudica a nação, e não governar a nação através da astúcia é benéfico para ela.

Aquilo que não tem forma é grande, o que tem forma é pequeno; o que não tem forma é muito, o que tem forma é pouco. O que não tem forma é poderoso, o que possui forma é fraco; o que não tem forma é substancial, o que tem forma é vazio. O que tem forma realiza os trabalhos, o que não tem forma inicia os começos. Aquilo que realiza os trabalhos produz instrumentos, aquilo que inicia os começos é imaculado. O que possui forma tem som, o que não possui forma não tem som. O que tem forma nasce do que não tem forma, assim, o que não tem forma é o começo do que tem forma.

A amplidão e a riqueza são famosas; o que é famoso é considerado nobre e completo. A frugalidade e a austeridade não têm nome; o que não tem nome é considerado baixo e insignificante. A riqueza é famosa, e o que é famoso é honrado e favorecido. A pobreza não tem nome; o que não tem nome é desprezado e considerado sem valor. O masculino tem fama, o que é famoso é exaltado. O feminino não tem nome, o que não tem nome é oculto. A abundância é famosa, e aquilo que é afamado recebe posição de destaque. A escassez não tem nome, e o que não tem nome recebe posição sem destaque. O que tem mérito possui um nome; o que não tem mérito não possui um nome.

O que tem nome nasce do que não tem nome; o que não tem nome é a mãe do que tem nome. No Caminho, a existência e a não-existência produzem uma à outra, a dificuldade e a facilidade criam uma à outra. Por isso os sábios se mantêm ligados à calma aberta e à sutileza do Caminho, e desse modo aperfeiçoam as suas virtudes. Assim, quando alguém tem o Caminho, tem a virtude; quando alguém tem a virtude, tem o mérito; quando alguém tem o mérito, tem fama; quando alguém tem fama, retorna ao Caminho, e então o mérito e a fama duram para sempre, e nunca haverá culpa em toda a vida.

Os reis e os senhores têm fama por suas obras; os órfãos e os pobres não têm fama por suas obras, por isso os sábios referem a si mesmos como solitários e pobres, e retornam à raiz. As suas obras são realizadas sem possessividade, de modo que a não-vitória é considerada benéfica, enquanto que a ausência de um nome é considerada útil.

Nos tempos antigos as pessoas eram inocentes e não sabiam distinguir o oriente do ocidente. Não havia disparidade entre suas aparências e seus sentimentos, ou entre suas palavras e suas ações. As ações delas surgiam sem ornamentação, o que diziam não era embelezado. As suas roupas eram quentes mas não coloridas, as suas armas eram cegas, sem fio. Seus movimentos eram lentos, seu olhar era vago. Elas cavavam poços para beber, aravam as terras para comer. Não distribuíam mercadorias e não buscavam recompensas. Os mais elevados e os inferiores não derrubavam uns aos outros, os longos e os curtos não definiam uns aos outros.

Os costumes que são equivalentes no uso comum podem ser seguidos, o trabalho que é possível para todos pode ser realizado facilmente. As artificialidades pretensiosas que enganam a sociedade e o comportamento perigoso que ilude as massas não são empregados pelos sábios para popularizar os bons costumes.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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Lao-tzu disse:

Aqueles que alcançam o Caminho são fracos em ambição mas fortes no trabalho, as suas mentes são abertas e suas respostas adequadas. Os que são fracos em ambição são flexíveis e tolerantes, pacíficos e quietos; eles se escondem na ausência de possessividade e fingem ser inábeis. Tranqüilos e sem artificialidades, quando agem, eles não perdem o sentido de tempo.
Portanto a nobreza deve estar enraizada na humildade, o que é elevado deve estar baseado no que é inferior.

Use o pequeno para conter o grande, permaneça no centro para controlar o externo. Comporte-se com flexibilidade, mas seja firme, e não haverá poder que você não possa vencer, nenhum inimigo acima do qual você não possa erguer-se. Responda aos fatos novos, avalie o momento, e ninguém poderá prejudicá-lo.

Aqueles que quiserem ser firmes devem preservar a firmeza com flexibilidade; aqueles que quiserem ser fortes devem proteger a força com fraqueza. Acumule flexibilidade e você será firme, acumule fraqueza e você será forte. Observe o que os outros acumulam e você saberá quem sobreviverá e quem perecerá.

Aqueles que vencem os que são menores pela força chegam a um impasse quando encontram outros cuja força é igual à sua. Aqueles que vencem os que são maiores pela flexibilidade têm um poder que não pode ser medido. Portanto, quando um exército é forte ele é derrotado, quando uma árvore é forte ela se quebra, quando o couro é forte ele se rasga; os dentes são mais fortes que a língua, mas são os primeiros a morrer.

Assim a flexibilidade e a tolerância são os administradores da vida, a dureza e a força são os soldados da morte.                                                                                                                                                Abrir caminho é a estrada que leva à exaustão, agir mais tarde é a fonte de êxito.
Manter-se em estreito contato com o Caminho para ser um parceiro da evolução implica liderar para regular os que seguem, e seguir para regular os que lideram. O que é isso? Isso significa não perder os meios de regular as pessoas que não podem controlar a si.

Seguir significa combinar os elementos dos acontecimentos de modo que eles se harmonizem com o momento. As mudanças no momento não permitem descansar nos intervalos: se você agir antecipadamente, irá demasiado longe; se agir tarde demais, não poderá acompanhar os fatos.

À medida que os dias passam e os meses se sucedem, o tempo não se demora com as pessoas. É por isso que os sábios dão mais valor a um pequeno intervalo de tempo do que a uma enorme pedra preciosa. O tempo é difícil de achar e fácil de perder.

Por isso os sábios realizam seus objetivos de acordo com o tempo e levam adiante suas obras de acordo com os recursos disponíveis. Eles se mantêm no caminho da pureza e são fiéis à disciplina do feminino. À medida que avançam e respondem às mudanças, eles sempre seguem e nunca precedem. Flexíveis e tolerantes, eles são, por isso, calmos. Pacíficos e despreocupados, eles estão, por isso, em segurança. Aqueles que atacam os grandes e derrubam os poderosos não podem entrar em conflito com eles.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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Lao-tzu disse:
A totalidade dos seres passa por uma só abertura; as raízes de todas as coisas surgem de um só portão. Portanto, os sábios medem uma trilha a seguir uma só vez e não mudam o que é original nem se alteram em relação ao que é perene. A liberdade se baseia em seguir a orientação, o tato se baseia na honestidade, a honestidade se baseia na normalidade.
Contentamento e raiva são desvios do Caminho, ansiedade e lamento são perdas de virtude, preferências e aversões são excessos da mente, desejos habituais são pesos para a vida. Quando as pessoas se tornam muito irritadas, isso destrói a tranqüilidade; quando as pessoas ficam muito contentes, isso elimina a ação positiva. Com a energia diminuída, as pessoas perdem a fala, ficam espantadas e assustadas, enlouquecem. A ansiedade e o lamento queimam o coração, e assim a doença cresce. Se as pessoas puderem libertar-se de tudo isso, poderão unificar-se com a luz espiritual.
A luz espiritual é a realização do que é interior. Quando as pessoas alcançam o que é interior, os seus órgãos internos estão calmos, os seus pensamentos são equânimes, os seus olhos e ouvidos funcionam com nitidez, e seus tendões e ossos são fortes. Elas são poderosas mas não agressivas, são firmes e fortes porém nunca se exaurem. Não cometem excesso em nada, e tampouco são inadequadas em coisa alguma.
Nada no mundo é mais suave do que a água. O caminho da água é infinitamente largo e incalculavelmente profundo; ele se estende indefinidamente e flui ilimitadamente longe. O aumento e a diminuição passam sem ser notados. No alto do céu a água se transforma em chuva e em orvalho; embaixo, na terra, ela se transforma em umidade e em áreas inundáveis. Os seres não podem viver sem ela, e os trabalhos não podem ser realizados sem ela. Ela abrange toda a vida, sem preferências pessoais. A sua umidade alcança até os seres que se arrastam, e ela não busca recompensa. Sua riqueza torna todo o mundo mais rico, sem que se esgote. As suas virtudes são usadas pelos agricultores, sem que sejam desperdiçadas. Não há um final para suas ações. A sua sutileza não pode ser captada. Bata nela, e ela não fica prejudicada; perfure-a, e não fica ferida; atravesse-a com uma faca, e ela não é cortada; queime-a, e ela não faz fumaça. Suave e fluida, não pode ser dispersada. Ela é suficientemente penetrante para perfurar metais e pedras, suficientemente forte para submergir todo o mundo. Haja excesso ou falta, ela permite que o mundo receba e dê. Ela é distribuída a todos os seres sem ordem de preferência; não é privada nem pública, é inseparável do céu e da terra. Isso se chama suprema virtude.
A razão pela qual a água pode corporificar essa virtude suprema é que ela é suave e escorregadia. Por isso eu digo que o que é mais suave no mundo dirige aquilo que é mais duro no mundo, o não-ser não entra em espaço algum.
O que não tem forma é o grande ancestral dos seres, o que não tem som é a grande fonte das espécies. As pessoas verdadeiras podem comunicar-se com o diretório espiritual, aqueles que participam da evolução como seres humanos levam a virtude mística em seus corações e a empregam criativamente como um espírito.
Assim, o Caminho não-falado é de fato grandioso. Ele muda os hábitos e costumes sem que quaisquer ordens sejam dadas. Ele é só ação mental: todas as coisas têm resultados, mas ele só vai à raiz; todos os assuntos têm conseqüências, mas ele só fica pelo portão. Desse modo é possível encontrar o fim do que não tem fim e o supremo do infinito, perceber coisas sem estar cego e responder como um eco sem preocupar-se.

 

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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By the way…

The image of the cosmos must change with the development of the mind and knowledge; otherwise,
the mythic statement is lost, and man becomes dissociated from the very basis of his own religious
experience. Doubt comes in, and so forth.

You must remember: all of the great traditions, and little traditions, in their own time were scientifically correct. That is to say, they were correct in terms of the scientific image of that age. So there must be a scientifically validated image.

Now you know what has happened: our scientific field has separated itself from the religious field, or vice-versa. … This divorce this is a fatal thing, and a very unfortunate thing, and a totally unnecessary thing.
Joseph Campbell

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Lao-tzu disse:
Quando as pessoas perdem sua natureza essencial por seguir desejos, as suas ações nunca são corretas. Governar uma nação dessa maneira resulta em caos; governar a si mesmo deste modo resulta em decadência.
Portanto aqueles que não ouvem o Caminho não têm meios de retornar à sua natureza essencial. Aqueles que não compreendem as coisas não podem ser claros e calmos.
A natureza essencial do ser humano original não tem perversão ou degeneração, mas depois de uma longa imersão em coisas ela muda facilmente; assim nós esquecemos nossas raízes e nos adaptamos à natureza aparente.
A natureza essencial da água gosta de claridade, mas o cascalho a polui. A natureza essencial da humanidade gosta de paz, mas os desejos habituais a danificam. Só os sábios podem deixar as coisas e voltar ao ser interior.
Portanto os sábios não usam o conhecimento para explorar as coisas e não deixam os desejos romperem a harmonia. Quando estão felizes não ficam eufóricos, e quando sofrem não ficam irremediavelmente abalados. Assim, eles não estão em perigo mesmo quando em posições elevadas; estão seguros e estáveis.
Desse modo o planejamento imediato ao ouvir boas palavras é algo que mesmo o ignorante sabe o suficiente para admirar; a ação elevada de acordo com as virtudes dos sábios é algo que mesmo aquele que não é digno conhece o suficiente para olhar com satisfação.
Mas enquanto aqueles que admiram isso são muitos, os que o aplicam são poucos; e enquanto aqueles que olham isso com satisfação são numerosos, os que o põem em prática são raros. A razão disso é que eles se agarram às coisas e estão atados ao que é mundano.
Por isso se diz: “Quando eu não planifico nada, as pessoas evoluem por si. Quando eu não me esforço por nada, as pessoas prosperam por si. Quando eu gozo de tranqüilidade, as pessoas corrigem a si mesmas. Quando não tenho desejos, as pessoas são naturalmente sinceras.”
A clara serenidade é a realização da virtude. A tolerância flexível é a função do Caminho. A calma vazia é o ancestral de todos os seres. Quando esses três são postos em prática, você entra na condição do que não tem forma. A condição do que não tem forma significa unidade; unidade significa unir-se com o mundo sem preocupações.
A prática da virtude não é agressiva; o seu uso não é forçado. Você não vê a virtude quando a olha, e não a ouve quando tenta escutá-la. Ela não tem forma, mas as formas nascem nela. Ela não tem som, porém todos os sons são produzidos nela. Não tem sabor, no entanto todos os sabores se formam nela. Não tem cor, entretanto todas as cores são feitas nela.
Assim, o ser nasce do não-ser, a realização nasce do vazio. Há apenas cinco notas musicais, no entanto as variações daquelas cinco notas são tantas que ouvi-las está além do nosso alcance. Há apenas cinco sabores, mas as variações desses cinco sabores são tantas que experimentá-las está fora do nosso alcance. Há apenas cinco cores, mas as variações dessas cinco cores são tantas que vê-las está além do nosso alcance.
Em relação ao som, quando se estabelece a primeira nota as cinco notas são definidas. Em relação ao sabor, quando se estabelece a doçura os cinco sabores são formados. Em relação à cor, quando se estabelece o branco as cinco cores se formam. Em relação ao Caminho, quando o Uno se estabelece, todas as coisas nascem.
Portanto, o princípio da unidade é válido em todas as partes. A vastidão do uno é evidente em todo o céu e em toda a terra. A sua totalidade é sólida como um bloco não-esculpido. A sua dispersão é total, como no processo da suspensão. Embora esteja em suspensão, a unidade gradualmente se torna clara; embora seja vazia, ela gradualmente preenche. Ela é profunda como um oceano, ampla como as nuvens flutuantes. Ela se parece ao nada, no entanto, existe; ela parece ausente, porém, está presente.

Traduzido por Carlos Cardoso Aveline para

Editora Teosófica, de Brasília-DF, em 2002

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